terça-feira, 7 de julho de 2009

A esposa de Jesus no século I era conhecida apenas como Maria



Acredito que Maria de Betânia, a Talita – filha de Jairo, Maria Madalena, a mulher do vaso de alabastro, a pecadora do apedrejamento e a samaritana se trata da mesma mulher.

Ingenuamente me perguntava por que existia algumas pessoas que não pensavam assim também. Procurei ler vários livros e comentários que dizem serem pessoas diferentes, mas não fiquei convencida. Tenho a humildade de considerar que possa estar errada, mas um conjunto de fatores que tomei conhecimento nos últimas pesquisas me influenciam a acreditar todas se tratar de uma mesma mulher. 

Nas comunidades e fóruns de discussão sobre o assunto houve o esforço para me fazer entender por estas pessoas que acreditam elas serem pessoas diferentes. Aqui registro alguns destes fatores que me levam pensar assim.

O mito do eterno retorno

Quando li os livros de Mircea Eliade – Sagrado e Profano, O mito do eterno retorno, Imagens e símbolos, entre outros – passei a ver os povos antigos com outros olhos. Segundo este mitólogo as pessoas na Antiguidade viviam de acordo com um arquétipo, um exemplo, uma “maquete”, um mito orientador.

Os deuses, heróis ou antepassados deles realizavam determinados feitos, onde neles inauguravam cidades, instrumentos, famílias, ações sociais. O que eles fizeram tornou-se sagrado e os povos encenavam novamente estes feitos, de tempos em tempos, com o intuito de voltar ao tempo sagrado fazendo a vontade dos deuses.  

A repetição dos feitos divinos ou heróicos deu origem aos ritos e tinham uma finalidade pedagógica – ensinar as novas gerações a fazerem a vontade dos deuses e fortalecer a idéia sagrada renovando a aliança com o divino. Outra forma de transmitir o conhecimento sagrado seria através dos mitos.

Levi-Strauss (1978, p. 14) considera que, “para as sociedades sem escrita e sem arquivos, a mitologia tem por finalidade assegurar, com um alto grau de certeza, que o futuro permanecerá fiel ao presente e ao passado”.

A primeira influência que tenho para acreditar que Maria de Betânia, a Talita – filha de Jairo, Maria Madalena, a mulher do vaso de alabastro, a pecadora do apedrejamento e a samaritana se trata da mesma mulher é o conhecimento de que para os antigos nada era registrado por acaso; o registro tinha finalidade pedagógica; e possivelmente a história destas mulheres bíblicas estaria seguindo um arquétipo/mito orientador ou história exemplar e sagrada.

De posse destas informações a hipótese que é levantada prescreve que as histórias destas mulheres fazem parte de um conjunto fragmentado de uma história única, que apresenta uma heroína (versão feminina do herói) realizando as ações sagradas que compete as mulheres (a Eva). Ou seja, assim como o Adão é reconhecido como filho de Deus quando realiza a vontade Dele, a Eva, para ser considerada filha de Deus precisa materializar algumas ações para ser reconhecida – o mito diretor do sagrado feminino.

A versão mais completa da história/mito da filha de Deus (a heroína que percorre a jornada ao encontro com o divino – influência de Joseph Campbell) – pelo menos a que encontrei até o momento – encontra-se no livro da biblioteca de Nag Hammadi, A Exegese da Alma.

A segunda coisa que me leva a pensar ser todas a mesma mulher é a hipótese de que esta história sagrada que registra o mito diretor da heroína – que reflete a versão feminina da busca pelo sagrado – pertenceria a herança cultural do Reino do Norte/Israel.

Reino do Norte X Reino do Sul

Lendo o livro Jesus segundo o judaísmo organizado por Beatrice Bruteau (2003, p.61) tomei conhecimento da expressão “Messias filho de José”. Até então eu só conhecia a expressão “Messias filho de Davi”.

Esta informação me chamou muito atenção: Primeiro eu já tinha estranhado o fato de que o livro do Gênesis a linhagem começa com Adão e termina com Efraim (Abraão-Isaac-Jacó-José-Efraim) mas o messias que viria para salvar veio de outra linhagem (Abraão-Isaac-Jacó-Judá).

Na minha visão seria uma incoerência. Se a linhagem escolhida era Judá (irmão de José) este é quem teria sido abençoado no leito de morte e não Efraim, mas aconteceu o contrario. De imediato veio na minha cabeça a frase “os vencedores é quem conta a história” e a casa do reino do norte foi destruída. Não foram eles quem contaram a história.

A primeira história/mito sobre casamento entre o povo de Abraão é a de Adão e Eva. Este casal primordial casou-se aos pés do poço do Édem cujas águas transbordara para fora do jardim sagrado e dividiu-se em quatro braços. Guiado pelo pensamento de Eliade esta história é exemplar, é o modelo a ser seguido. Jacó encontrou Raquel no poço e não Lia (mãe de Judá). Esta história tem um simbolismo e ensinamento. O encontro de Jacó e Raquel no poço, no meu entender, seria uma referência ao casamento do casal primordial.

    

Sendo assim acredito ser a linhagem do messias a de Raquel (cujo filho foi José, que gerou Efraim) e não Lia (cujo filho foi Judá, de onde veio Davi). Orientado por esta certeza, me preocupei com o fato de Jesus ser chamado de messias filho de Davi. Foi ai que a expressão “Messias filho de José”, mais uma vez ecoou dentro de mim – Jesus é conhecido como messias e também filho de José.
E se o José mencionado fosse na verdade José do Egito e não o nome de um homem dos tempos de Herodes, ou seja, e se o pai de Jesus fosse na verdade um descendente de José do Egito por isso ele era “filho de José”. Estas foram às perguntas que me surgiram.

Depois uma retrospectiva sobre o que eu lembrava de Jesus foi pipocando – Ele cresceu no reino do norte; fugiu para Egito, onde José prosperou; os primeiro milagres foram no reino do norte; a maior parte do Evangelho de Marcos (conhecido como o primeiro) são de acontecimento no reino do norte; daí a morte dele no sul – Jerusalém - fez todo sentido – um rei do norte jamais foi bem recebido no sul.

Jesus foi chamado de samaritano foi chamado de samaritano:

"Não é ele Jesus filho de José" (João 6:42)
"Não dizemos com razão que és samaritano..." (João 8:48)

Quando Jesus foge do templo, ao tentar matá-lo, encontra proteção em terras de Efraim (Joa 11:54). Certamente na terra de seu ancestral encontraria segurança.

Descobri fazendo pesquisas sobre o a Casa de José e lendo o Antigo testamento, o seguinte:
  
- O Gênesis termina com a história de José do Egito, nos informando que a linha de sucessão de Abraão continuou com a casa de José;

 - José foi o filho de Jacó, que teria sido vendido pelos irmãos aos egípcios. Esse durante toda sua vida agiu conforme a vontade de Deus e prosperou. Mas a história de seus descendentes aparenta ter sido apagada. Esses seriam os verdadeiros herdeiros do culto religioso e da liderança na terra prometida. O primeiro líder quando retornaram a Canaã era da casa de José - Josué;
- A primeira sede do governo deste povo, ficava em terras da casa de José;

- Os descendentes da Casa de José teriam se estabelecido no reino do norte e eram conhecidos como samaritanos;

- Na época do rei Davi, a tribo de Judá teria se rebelado contra a casa real de José, que ficava na samaria. Davi junto com Salomão teria construído um reino paralelo e com ajuda estrangeira teria ganhado poder para submeter o reino original;

- Após a morte de Salomão a maioria das tribos ficaram a favor da casa real original – a casa de José. A casa de Judá e de Benjamim formaram um reino a parte;

- No livro de Esdras e Neemias há a informação de que o reino do norte enviou uma carta ao rei assírio, informando que a casa de Judá era rebelde e tinha se rebelado contra seu verdadeiro rei, no reino do norte. Essa carta era um pedindo ajuda;

- A casa de José e a casa de Judá brigaram durante muito tempo entre si. Após as invasões estrangeiras nos dois reinos – o reino do norte e o reino do sul, e o fim do exílio na Babilônia, a casa de Judá que havia se separado da casa de José, voltou a Jerusalém em melhores condições;

- Esdras e Neemias estabeleceram um culto de acordo com os propósitos da casa de Davi. Teriam alterado os escritos existentes para legitimar a casa de Judá e procuraram sujar a imagem da casa de José, os chamando de idolatras [...], portadores de uma falsa versão da religião de Abraão-Isac-Jacó. A motivação para tal seria os recursos adquiridos no templo que não precisariam mais ir para o reino do norte prestar culto;

- Tudo o que conhecemos hoje sobre o reino do norte, sempre o vendo de forma negativa, teria sido uma história construída pela casa de Judá, para legitimar-se no poder, “foram os vendedores”, os vencedores é quem sempre contam a história, e claro, sempre chamando os outros de ilegítimos, pecadores e mentirosos;

A verdadeira história do reino do norte e da casa de José, como legítima portadora e disseminadora da religião de Abraão e Moisés, teria sido registrada em dezenas de pedras grandes com inscrições. acredito que semelhantes a pedra de Hamurabi, estas pedras que formavam uma biblioteca pública no reino do norte, teria sido erguida por Moises e Josué e estavam espalhadas nos lugares de culto. Informações sobre elas estariam no livro de Josué e Êxodo.



Código de Hamurabi contendo inscrições referentes as leis que o rei recebeu das próprias mãos de deus, segundo os mesopotâmicos.

Várias pedras com inscrições teriam sido construídas no e pelo reino do norte - casa de José. Na cidade de Gilgal, primeira capital do reino, doze (12) delas formariam uma praça (biblioteca pública) e pelo menos uma na capital de cada tribo, teria sido erguida para que todos pudessem conhecer a verdadeira história daquele povo e assim vivessem em unidade. Só que o reino do sul, a casa de Davi, os reis de Judá, teria quebrado todas estas pedras, que também eram conhecidas como postes (versões dos textos em madeira). Em inúmeros momentos na Bíblia menciona em derrubá-las:

“Moises escreveu todas as palavras do senhor, no dia seguinte, edificou um altar ao pé da montanha e levantou 12 estelas para as 12 tribos de Israel” (Ex 24:4)

“Escreverás essas palavras, pois elas são a base da aliança que faço com o povo de Israel” (Ex 34:27)

“Essa é uma lei perpetua para os Israelitas, e suas gerações vindouras” (Ex27:21)

“Moises disse a Josué: Quando atravessares o rio Jordão levantarás umas pedras grandes revestidas de cal [...] escreverás nelas o texto completo da lei, em caracteres distintos e claros” (Deut 27:2 e 8)

“Josué gravou em pedras cópias da lei de Moises” (Jos 8:32)

"Josué levantou ali as 12 pedras" (Jos 4:20)

Mas estas não teriam sido os únicos livros de pedras produzidos pelos israelitas. Jeremias é exortado a levantar pedras com inscrições da lei: “Ergue sinais, coloca postes indicadores” (31:21)

Isaías também: “e o Senhor disse: toma uma grande placa e escreve nela em caracteres bem legíveis [...]” (Is 8:1)

No primeiro livro de Reis (14:24-25) diz que estelas foram erguidas, e no II livro de Reis (18:4) fala que elas teriam sido derrubadas e quebradas pelo rei Ezequias. O segundo livro de Crônicas (34), nos informa que o rei Josias também destruiu os obeliscos, fez em pedaços as estelas.

Na Antiguidade as pedras ou tijolos de argila eram utilizados para conter mensagens. Eram os livros da época, utilizados por vários povos.
Os escritos em materiais perecíveis como o pergaminho e o papiro, podiam ser alterados por copistas, mas as pedras não. Quanto à durabilidade os livros de pedra e argila cozida serviriam de testemunho para centenas de gerações. Cada livro deste tipo era produzido para durar uma eternidade.

A religião oficial da casa de Davi, rei hebreu, e seus sucessores, teriam proibido a confecção e erguimento destas estelas de pedras e as guerras que se sucederam, teriam transformado todos estes centros de cultura em ruínas.

Acabadas estas festas, os israelitas presentes foram às cidades de Judá e despedaçaram as estelas, derrubaram as asserás, destruíram os lugares altos e demoliram os altares de todo o Judá, Benjamim, Efraim e Manassés. Foi uma destruição radical. Feito isto, os israelitas retornaram cada qual para sua cidade, cada qual para sua terra [...] No oitavo ano de seu reinado, quando ele era ainda criança, [...] e no duodécimo ano, começou a limpar Judá e Jerusalém dos lugares altos, das asserás e dos outros ídolos de madeira ou de metal fundido [...] demoliu os altares, quebrou e reduziu a pó as asserás e destruiu todos os obeliscos em toda a terra de Israel. Em seguida retornou a Jerusalém. (II CRÔNICAS 31,1; 34,3 e 7)

Vários reinos na história da humanidade destruíram documentos e livros para que uma nova história pudesse ser contata pelos reinos usurpadores. Com este pensamento é de se supor que a destruição das estelas israelitas teria como intenção apagar da memória publica, toda uma bagagem cultural produzida pelos patriarcas deste povo para que uma nova história fosse contada. As ruínas desta biblioteca ainda não teria sido descoberta.

Que a arqueologia descubra essas pedras com inscrições sobre o passado do reino do norte!
Jesus pertencendo a este reino do norte - sendo um filho de José, responderia a questão do porque nunca ter sido encontrado nada que confirmasse o Jesus histórico. As pesquisas estariam se concentrando no reino errado.

Mas Jesus afirmou: "Se as vozes se calarem (se os homens conhecedores morrerem ou forem assinados) as pedras clamarão (revelarão)"

Buscando fechar este pensamento sintetizamos com a informação de que o reino do norte esperava um messias filho de José, que reconstruísse o reino. A primeira menção da vinda de um messias é feita no reino do norte durante a invasão Assíria (Livro de Isaías). O povo do reino do norte era conhecido como samaritanos e estes eram os descendentes da casa real de José.

O reino do sul somente começou a falar sobre um messias filho Davi, anos depois quando a Judéia foi atacada pela Babilônia (livro de Jeremias). O reino do sul esperava um messias filho de Davi, da tribo de Judá.

Os dois reinos brigaram entre si durante muito tempo. Este conflito parece refletir na história de Jesus e nos Evangelhos, pois um momento diz que Jesus é o messias “filho de José” e em outro que ele é “filho de Davi”.

Surge então a hipótese de que haveria no mínimo três grupos de redatores dos Evangelhos: um grupo do reino do norte com calendário, mitos e ritos próprios, crentes no messias filho de José, do Egito; um grupo do reino do sul igualmente com calendário, mitos e ritos próprios, crentes no messias filho de Davi; e um grupo estrangeiro (grego) que não entendeu a diferença dos dois e juntou textos provindos de ambos os grupos. 

Textos da casa de José referentes a Jesus

Os primeiros escritos sobre Jesus teriam sido produzidos no reino do norte, antes de Paulo, e em aramaico. O que justificaria tantas expressões em aramaico nos evangelhos. Nestes, Jesus teria como mito orientador a história de José do Egito. A tendência é que os textos foram registrados em pedras, para durar uma eternidade. “Se calarem a voz dos profetas as pedras falarão”.

Nestes escritos Jesus pertencia à casa de José – do Egito, o verdadeiro herdeiro, “Jesus, filho de José”. Ele é apresentando como repetindo a vida de José, as realizações deste. Prega no reino do norte; percorre suas principais cidades; realiza os rituais importantes para os samaritanos; vê a casa de Judá, como as ovelhas perdidas de Israel [...] e casa-se no reino do norte - caná. O encontro com sua esposa é em um poço a semelhança como foram encontradas as esposas de Isaac, Jacó e Moisés – um rito sagrado.

Nestes escritos a esposa de Jesus é conhecida. Todos sabem que seu nome é Maria e é uma típica samaritana – sacerdotisa (ou seja, realiza cerimônias e culto a Deus), é a Shekiná, a Eva, prega ao povo, tem autoridade, é matriarca, é o poço de Jacó, é a videira.

Obs: Entre os povos da Antiguidade objetos que estivessem ligados a água ou a terra, eram utilizados para representar as mulheres. As mulheres eram receptáculos da vida, assim como os poços eram receptáculos da água, primordial para a manutenção da vida.

Os israelitas representaram mulheres como sendo poços, Sara e Rebeca foram representados como poços [...]. É a guardiã das águas da vida.

A videira também era uma representação de mulher na Antiguidade, assim como a terra, aquela que recebiam a semente e fazia crescer a vinha ou vegetal como figueira.

Textos da casa de Davi referentes a Jesus

Outros escritos teriam sido produzidos em Jerusalém, pelo reino do sul. Provavelmente pelas mãos de Paulo. Neste reino os mitos e ritos do reino do norte eram abominados por isso foram criticados.

Jesus é apresentado como pertencente a casa de Davi e realiza feitos como o messias do reino do sul. O mito orientador é  Davi – Jesus entra em Jerusalém montado em um jumento como Salomão, [...].

Aqui, o autor não sabia o nome da esposa de Jesus, só conhecia seus feitos e os registrou apenas para criticá-los, pois eram atitudes consideradas inadequadas e proibidas para as mulheres do reino do sul.

O autor criticou quando ela tentou pregar no templo, proibido ás mulheres. Na visão do sul ela estaria adulterando a lei por isso precisava ser apedrejada (João 8). Neste capítulo tanto Jesus quanto sua esposa foram chamados de adúlteros (não sexuais mais sim religioso) e correram o risco de serem apedrejados por pregarem coisas que pretensamente estaria diferente do pregado pelos homens da casa de Davi.

Outra crítica do autor da versão sulista é quando Maria estava realizando o hierogamos – lavando os pés de Jesus no jantar, é chama de pecadora, por que este ritual era proibido no reino do sul. E assim por diante.

O autor do Evangelho de João (de origem nortista), procura concertar os equívocos e afirma qual o nome da mulher que ungiu Jesus: “Maria era quem ungira o senhor[...]” João 11:2, ou seja, dá nome a mulher desconhecida e criticada pelo autor sulista.

Aqui o símbolo da noiva é a torre (Migdal). O oposto complementar do poço era a torre. Segundo Wikipedia a frase "Migdal Eder" ocorre em Miquéias 4:8, onde Jerusalém é comparada a uma torre. Sendo Jerusalém a cidade santa para os sulistas. 

O texto dos estrangeiros gregos referentes a Jesus

Após o Evangelho de João e provavelmente início do segundo século, algumas anotações teriam sido feitas as margens do escrito de Jerusalém. Nessas anotações conteriam as crenças que estavam reinando na época, ou seja, a parte da crucificação-morte-ressureição.
Este era um mito comum entre os antigos e referia-se a mitos de casamento – sacrifício do noivo e sua “ressurreição”, quando sua semente se torna três meses depois num novo ser – seu filho (a mulher esperava três meses para ter certeza de que não iria perder o bebê da semente concebida). Passado o período poderia efetivamente comemorar a gravidez entendida como germinação da semente plantada que precisava morrer no útero da terra para germinar.

Por esta época, os cristão-judeus do reino do sul, em diáspora, pela destruição de Jerusalém pelos romanos, já sabiam que a esposa de Jesus se chamava Maria, por que teriam entrado em contado com os cristãos do reino do norte. Esses acrescentaram o título migdal nos escritos que possuíam e que dizia respeito a Maria, pois a esposa de Davi foi chamada de migdal (torre).

Os pais da igreja no segundo século, que não eram nem da casa de José nem da casa de Davi, juntaram os dois escritos - o produzido pelos cristãos do norte (Casa de José) e o produzido pelos cristãos do sul (Casa de Davi) -, e ao traduzir para o grego teriam acrescentado as anotações marginais como se fizessem parte do original.

Quando prestamos atenção o nome “Maria Magdala” como composto, só aparecem nos últimos capítulo dos evangelhos. A expressão Maria Magdala aparece 7 vezes onde seis dessas estão nos últimos capítulo e um estaria perdido quebrando o sentido de uma história que estava sendo contada, ou seja, parece ter sido inserido posteriormente no meio do texto.

Outras interpolações teriam sido feitas para que o texto fizesse sentido aos não israelitas, pois estes não estavam cientes dos ritos, cerimônia e forma lingüística dos israelitas, dando assim um sentido diferente do original.

No princípio a esposa de Jesus era apenas Maria

No domingo da ressurreição, quando Jesus está no jardim, chama sua esposa apenas de Maria, indicando que seria assim que ela era conhecida inicialmente.

Sintetizando o pensamento. Haveria dois grupos de cristãos: um grupo chamava a esposa de Jesus apenas de Maria, seriam os mais antigos e mais próximos do casal; e outro grupo a chamava no composto Maria Magdala, seriam da casa de Davi, cristãos posteriores e conheceriam pouco o casal.

No Evangelho de Maria, não há o título Magdala, indício de que este escrito teria sido produzido pelo primeiro grupo de cristãos, os nortistas. No Evangelho de Felipe, há o título Maria Magdala, indicando que foi um escrito produzido mais tardiamente quando o título já havida sido incorporado entre a maioria dos cristãos.

Conclusão

No momento sigo a hipótese de que a história de Maria de Betânia, da Talita – filha de Jairo, de Maria Madalena, da mulher do vaso de alabastro, da pecadora do apedrejamento e da samaritana, apresenta-se como pedaços da história de uma única heroína que foi nomeada de forma diferente por causa da origem diferenciada do texto que teria sido registrado por grupos diferentes.  A pesquisa continua.


Referência

LEVI-STRAUSS, Claude. Mito e significado. Tradução de Antônio Marques Bessa. Lisboa-Portugal: Edições 70, 1978.


2 comentários:

Nossa origem disse...

Achei interessante esta informação, e gostaria de saber a fonte primordial. Pode me contatar pelo e-mail: bispo.org@gmail.com ou pelo celular: 8799990259, aguardo contato. Obrigado!!!!

SOMOS COMO O VENTO disse...

Olá amada!

Abençoada és tu por este entendimento da palavra de Deus. Muito obrigado irmã por Cristo está revelando a sua verdade pela suas filhas e tirando o véu que nos cega o entendimento.

Tenho vontade de chorar... mas de alegria e carência durante a minha busca da verdade...
Abraços ....abraços ....